O professor dos meus sonhos


 Eu havia acabado de entrar em um curso de aprendizagem industrial, e um detalhe curioso é que todos os instrutores dessa instituição eram  novos, tinham entre 20 e 30 anos.
   Paulo, o meu professor era alto, cabelo preto, uma barba de fazer inveja e dono de um sorriso lindo. (mas não era ele meu alvo de cobiça) O nome dele era Vinícius, um pouco mais baixo que o Paulo, não tinha barba, tinha um rosto quadrado, cabelo preto, olhos castanhos, e também tinha um sorriso lindo. Desde o primeiro dia de curso, eu decidi venerá-lo.
   Meu professor sempre foi muito brincalhão, e sempre nos deu liberdade pra abraços, e brincadeiras mais íntimas. O Vinícius se mantinha mais fechado, assumindo em todos os patamares o ''Exemplo de professor''.
  Os instrutores sabiam que despertava o interesse de nós, alunas, e nos davam certa intimidade porque o curso era oferecido para maiores de idade, sendo assim, caso um professor se envolvesse com algum aluno, os problemas seriam menores. Mas isso não fez da instituição uma bagunça, pelo contrário,  a política de relacionamento entre docentes e discentes era tão rigorosa que os instrutores preferiam afastar qualquer boato de que havia relação deles com alunos que ultrapassasse o limite de liberdade dada por eles, a ter que levar uma advertência por essa conduta.  Sendo assim, eu podia esquecer o ideia de tentar seduzir o Vinícius ali dentro.
   Meus dias junto com minhas amigas se seguiram então a apenas observar aquele que pra mim era quase um Deus grego, seu jeito de sorrir, de andar, e até de se sentar para tomar café. Eu admirava tudo nele. Saia da sala de aula e punha-me a procurá-lo pra ver o que estava fazendo. Quando eu enfim conseguia falar com ele, pedir algum favor ou entregar-lhe algo, era uma felicidade tamanha. Ele sempre sorrindo bastante e sendo sempre muito educado só alimentava ainda mais meus sonhos com ele.
  Certo dia, meu professor, o Paulo, nos deu a notícia que ficaria um tempo sem nos dar aula, e quem o substituiria seria o Vinícius. Imediatamente meus olhos correram até o das minhas amigas, estávamos contente mas lamentamos aquele tempo sem o Paulo. (sorrindo ficava difícil de ele acreditar que a gente estava triste pela  sua saída, mas é que a substituição não podia ter sido melhor...)
  O Vinícius dando aula era a coisa mais perfeita do mundo, aquele sorriso maravilhoso não parava de dançar nos teus lábios, falava manso e baixo, andava bastante na sala, nos fazendo acompanhá-lo com os olhos por onde ia, de vez enquanto se assentava em uma das carteiras com livro na mão e eu só conseguia ficar olhando (que homem era aquele ?). Esse tempo que tivemos com ele, me deu algumas brechas, mas não tanto quanto eu tinha com o Paulo. (O Paulo temia o julgamento da diretoria mas sabia bem o que estava fazendo, dar abraço e conversar com certa liberdade não caracteriza assédio, logo, ele era totalmente despreocupado no dia-a-dia que levava conosco) O Vinícius, apesar de já conversar mais com a gente nunca deu uma deixa, se quer, de poder abraçá-lo, (e era a única coisa que eu pretendia, já que tinha extinguido a ideia de beijá-lo diante de sua resistência em ser mais liberal)
  Eu sempre fui muito alto astral, sorridente, comunicativa e isso me dava certa soberania na forma de tratamento em relação a outros alunos, já que com esse meu jeito consegui a simpatia de quase todos os instrutores. Eles me acionavam com frequência para ajudá-los em muitas coisas e assim consegui também a confiança de todos. Notando que os outros instrutores tinham total confiança em mim, foi a vez de finalmente o Vinícius me dar uma chance e começar a me pedir favores também.
  Na escola havia muitas salas de uso restrito apenas à professores, por serem salas de equipamentos, mas frequentemente um aluno entrava lá pra pegar algo que precisava. O maior medo do Vinícius era ser visto com alguma aluna ali dentro, mesmo que não tivesse fazendo  nada demais, a diretoria podia ver com outros olhos, e era frequente também a monitoria por inspetores na oficina. Mas o que ele não sabia é que eu já contava com a confiança dos superiores também, o que o pegou de surpresa, porque o inspetor era visto como um homem muito rígido e raramente o tinha visto conversando com alunos. O cheque-mate da última peça que me separava da confiança do Vinícius aconteceu um dia que eu estava sozinha em umas dessas salas restritas com meu professor, o Paulo, e o inspetor entrou na oficina procurando por ele, foi nos encontrar nessa sala. Ao contrário do que o Vinícius imaginou que iria acontecer, o inspetor saiu da sala sem qualquer alteração de humor e o Paulo também o garantiu que não recebeu nenhuma advertência por isso.
  Os dias que se seguiram foram bem diferentes, o Vinícius já se sentiu mais a vontade na minha presença e passou a usufruir da liberdade que eu possuía para ajudá-lo também. Conversando mais, descobrimos vários gostos em comum, inclusive que fazemos aniversário no mesmo dia. (essa foi a coincidência mais incrível da minha vida) Eu continuava a observá-lo, só que algumas vezes fui surpreendida por um sorriso lindo de volta, muitas vezes ele pareceu muito interessado nas nossas conversas, tinha um jeito diferente de falar comigo, sempre muito perto com a voz mais baixa, como se sussurrasse, já aceitava abraços e muitas brincadeiras que só tínhamos com o Paulo, o que me deixava louca e em uma situação delicada: Eu não sabia se ele estava sendo apenas gentil, ou se realmente estava correspondendo o meu amor platônico.
  Quando meu curso estava prestes a acabar, (faltava menos de um mês) eu me minhas amigas revelamos para os instrutores nossa admiração por eles, (isso numa conversa leve e descontraída) confessamos tudo que era mais atraente em cada um, e eu me lembro bem do olhar do Vinícius pra mim naquele dia, era um misto de surpresa com desejo, mas eu não podia investir mais. (não havia mais tempo) O que nos restou ao final foi apenas a rede social de cada um. Foi assim que, de fato, começou minha tão sonhada história com o Vinícius. (não se irritem leitores, eu precisava explicar como foi nossa aproximação para que estendessem a intensidade da aventura)
  Poucas semanas depois que o curso acabou, eis que eu recebo uma mensagem de boa noite, simples e objetiva. Creio que ele não esperava que eu respondesse, pois já era tarde. Vendo meu retorno, o Vinícius resolveu então desenvolver o assunto. Ele havia acabado de chegar de uma viagem, mas não estava cansado, pelo contrário, estava sem sono e me perguntou se eu aceitaria dar um passeio com  ele naquele momento. Eu olhei no relógio, eram quase três da manhã e estava todo mundo dormindo. Topei, e quando me dei conta, estava parada em frente ao carro daquele que, por muito tempo foi meu objeto de admiração. Entrei no carro e senti aquele perfume familiar, fui recebida com um sorriso maravilhoso. Ele saiu com o carro e logo parou em uma rua escura, me pediu que confiasse nele, que não faria nada que eu não permitisse. (típica frase) Conversando sempre com a voz baixa, chegamos ao assunto que eu descrevi acima (o dia que revelamos pros instrutores nossa admiração) ele queria saber de detalhes que não seria conveniente perguntar no dia, mas que o deixou curioso, e agora tendo apenas nós dois, ele estava a vontade para saber. Eu o disse tudo que nós pensávamos dele, e me deliciava com cada gargalhada que ele dava, se divertindo com as histórias e as loucuras que nós já havíamos feito pra ficar observando-os.
  Ficamos um bom tempo conversando, ele sentado de lado do banco do motorista e eu de lado também no outro banco. Chegamos enfim, no assunto que nós adorávamos falar: De acordo com o físico e com o comportamento que tinham, como seria a pegada de cada um. (toda garota apaixonada por seu professor tem em mente essas dúvidas) Ele me respondeu da forma mais surpreendente que eu poderia esperar aquela resposta. Colocou meu cabelo detrás da orelha, e segurou minha cabeça atrás, entrelaçou meus cabelos nos seus dedos e fechou a mão. Foi se aproximando até eu conseguir sentir o cheiro de morango da bala que estava em sua boca. Seus lábios estavam doce e molhados, quando encontraram os meus, ele fez parecer um longo selinho e foi abrindo a boca devagar, aos poucos sua língua também quis participar daquela demostração de perfeição e assim ele puxou minha cabeça pra trás, e eu mesmo com os olhos fechados, podia sentir o calor do olhar dele. Sua boca voltou então pra minha, agora mais sedenta. Ele me segurava forte pela cintura e pelos cabelos, o beijo cada vez mais quente, cada vez mais prazeroso, aquela noite pedia com certeza uma finalização à altura. Mas já era tarde, e precisávamos ir pra casa. Ele dirigiu todo o caminho de volta me olhando bastante, eu retribuía esse olhar, e na minha cabeça só se passava o seguinte: Como foi possível eu conseguir ficar com o homem que eu tanto admirei? Sabia todos os seus sorrisos, conhecia cada curva.  Nem em meus sonhos mais otimistas tiveram o final tão intenso. Como foi perfeita a sensação de conseguir seduzir aquele que me provocou involuntariamente durante tantos meses.
Du Vinny