Uma perda irreparável

Naquela tarde gélida e pálida, ao sair do cursinho reparei que havia algumas ligações perdidas, mas não dei tanta importância assim, pensei comigo mesma: "se for importante ligará novamente".
Antes de concluir o pensamento o telefone tocou, atendi e antes que eu falasse qualquer coisa, a voz do outro lado suplicava pra eu ser forte. Eu não estava entendendo nada, mas o coração já havia compreendido tudo, ele parecia querer saltar pela boca, o peito estava apertado de tal forma que  dificultava a respiração.
Continue calada. E a voz do outro lado da linha dizia: 
"Eu sei o quanto vai ser difícil, mas você precisa ser forte, precisa suportar essa dor. Eu sinto muitíssimo"
Eu simplesmente não conseguia falar nada. Desliguei o telefone, sem falar absolutamente qualquer palavra. Só consegui guardar o celular na bolsa, este tocava insistentemente. Ergui os olhos pro céu (queria questionar o porque de tamanha perda, e perguntar: porque não eu?), senti as lágrimas ganharem vida própria, uma dor tão imensa parecia me rasgar por dentro, o coração havia se quebrado em mil pedaços. Sentia uma vontade descontrolada de gritar com todas as minhas forças, mas a voz não saía, só consegui caminhar a passos lentos e entre uma lágrima e outra lembrar da primeira vez que te olhei nos olhos, a primeira vez que te amei... a primeira vez! Os tantos sonhos e planos que fizemos e você me deixou sozinha, com essa dor imensurável... incurável.
Foi a maior dor que já experimentei, um pedaço do meu coração também morreu naquele dia. Ficou apenas um vazio sem tamanho, uma saudades que será eterna!
Eva Coimbra
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